O senador Magno Malta (PL-ES) apresentou requerimento na CPI do Crime Organizado do Senado para que seja ouvido o delegado Romualdo Gianordoli Neto, que deixou o cargo de subsecretário de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Espírito Santo. O pedido ocorre após a repercussão da exoneração do delegado, formalizada em 24 de outubro de 2025, na sequência da conclusão da Operação Baest. A investigação identificou diálogos considerados suspeitos envolvendo o juiz federal Macário Júdice.

No documento protocolado, o parlamentar sustenta que Gianordoli teve atuação direta na apuração conduzida pela Polícia Civil e que seu depoimento é “imprescindível” para esclarecer os motivos da exoneração, o funcionamento interno da equipe responsável pela operação e eventuais interferências administrativas. O senador também aponta a necessidade de examinar possíveis vínculos entre agentes públicos e organizações criminosas.

Pontos centrais do requerimento

  • Pedido de oitiva de delegado exonerado em 24/10/2025
  • Questionamentos sobre mudanças na equipe da investigação
  • Apuração de possíveis conexões entre agentes públicos e facções

Linha do tempo da Operação Baest

Deflagrada em maio de 2025 pela Polícia Civil do Espírito Santo, a Operação Baest teve como foco o suposto braço financeiro da facção Primeiro Comando de Vitória. Entre os alvos esteve o empresário Adilson Ferreira. Segundo o relatório finalizado em setembro do mesmo ano, o celular do investigado continha conversas com o magistrado que, de acordo com o documento, indicariam possível atuação em procedimentos licitatórios na administração estadual.

Com a conclusão do relatório, Ferreira foi indiciado por suspeita de lavagem de dinheiro. Na sequência, quatro delegados que assinaram o documento foram removidos de suas funções. Em 24 de outubro de 2025, o governador Renato Casagrande (PSB) exonerou Gianordoli do cargo de subsecretário de Inteligência. Posteriormente, ele chegou a ser nomeado assessor na pasta, mas acabou dispensado em dezembro do mesmo ano.

Desdobramentos no Ministério Público e na PF

A crise avançou para outras esferas institucionais em janeiro de 2026. O Ministério Público do Espírito Santo solicitou o compartilhamento dos diálogos com a Polícia Federal. Ainda naquele mês, a Polícia Federal encaminhou pedido ao Supremo Tribunal Federal para abertura de inquérito destinado a apurar a relação entre Casagrande e Macário Júdice.

O magistrado, que atuava no Tribunal Regional Federal da 2ª Região, é investigado em outro procedimento e nega irregularidades. O relatório da Baest mencionou as conversas como elemento de apuração, mas as investigações seguem em curso nas instâncias competentes.

No requerimento apresentado à CPI, Malta argumenta que a proximidade temporal entre a finalização do relatório da Baest e as alterações no comando das unidades envolvidas na investigação levanta questionamentos que, segundo ele, precisam ser esclarecidos pelo Senado. A data para eventual depoimento dependerá de deliberação da comissão.

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