Vereador em sessão na Câmara ao comentar sobre cães soltos

Uma fala do vereador Osni Novack (MDB), durante sessão da Câmara Municipal de Major Vieira, no Norte de Santa Catarina, realizada na segunda-feira (16), gerou repercussão após o parlamentar defender a eliminação de cães soltos no município. A declaração ocorreu no contexto de relatos de ataques de animais a moradores da cidade, que tem cerca de 7,4 mil habitantes. Ao abordar o tema, o vereador afirmou que “alguém tinha que fazer um servicinho”, ao comentar a presença de cães nas ruas.

A manifestação incluiu ainda uma comparação feita pelo parlamentar entre a repercussão de crimes envolvendo pessoas e animais. Durante o pronunciamento, ele citou um episódio envolvendo uma freira e disse: “Uma freira foi matada e ninguém comentou. Hoje, se matar um cachorro, vai parar na cadeia. Para mim, vamos dizer assim, tinha que matar esses cachorros [sic]”. A fala ocorreu no plenário da Câmara Municipal de Major Vieira, durante uso da palavra.

Principais pontos da fala

  • Declaração ocorreu em sessão legislativa de 16 de março
  • Vereador sugeriu eliminação de cães soltos
  • Comentário foi feito após relatos de ataques a moradores

Reações e posicionamentos institucionais

Após a divulgação da fala, o episódio teve repercussão nas redes sociais e entre defensores da causa animal. A vereadora de Florianópolis, Priscila Fernandes, criticou a declaração e defendeu a adoção de políticas públicas voltadas ao controle e proteção de animais em situação de rua. Segundo ela, os animais não devem ser tratados como causa do problema, mas como consequência de ausência de ações estruturadas.

A Prefeitura de Major Vieira informou, por meio de nota, que não apoia práticas de violência ou maus-tratos contra animais e destacou que mantém ações voltadas à causa animal. Já a Câmara Municipal declarou que não se manifestaria sobre o caso naquele momento.

Atuação do Ministério Público e legislação

O Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) informou que foi comunicado sobre o episódio e avalia possíveis medidas. Até a publicação do caso, não havia manifestação oficial do vereador após a repercussão.

A legislação brasileira considera crime a prática de abuso, maus-tratos, ferimentos ou mutilação de animais, sejam domésticos, domesticados ou silvestres. A norma prevê responsabilização penal para esse tipo de conduta, além de sanções administrativas.

Um decreto recente ampliou os valores de multas aplicadas nesses casos. As penalidades podem variar de R$ 1.500 a R$ 50 mil, com possibilidade de chegar a R$ 1 milhão em situações com agravantes. Antes da atualização, os valores iam de R$ 300 a R$ 3 mil.

Discussão sobre animais soltos

Durante a sessão, o vereador voltou a mencionar a presença de cães em uma vila do município e reiterou a sugestão de eliminação dos animais. “Esses cachorros que estão aqui na vila, se não fosse o pessoal defendendo, tinha que alguém ‘fazer um servicinho’, né?”, declarou.

O tema ocorre em um cenário mais amplo de debates sobre segurança pública e convivência urbana envolvendo animais em situação de rua. Apesar disso, a legislação vigente proíbe práticas de extermínio e estabelece punições para casos de maus-tratos.

O caso permanece sob análise das autoridades competentes, enquanto a repercussão amplia o debate sobre políticas públicas de controle populacional de animais e medidas de proteção no âmbito municipal.

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